Estima-se que, atualmente, cerca de 5% das mulheres sofram com doenças endócrinas, isto é, doenças relacionadas com desequilíbrios das nossas hormonas, sendo as mais comuns a Síndrome dos Ovários Poliquísticos (SOP), Diabetes, Doença de Hashimoto, Insuficiência Adrenal, Síndrome de Cushing, Hiperprolactinemia, para nomear algumas.
Hormonas! Que palavrão!
Hormonas! A maioria das mulheres conhece esta palavra.
E fartamo-nos de ouvir frases como “tens as hormonas aos saltos”, “Ui que estás tão sensível hoje, são as hormonas?” “Ai devo estar na menopausa!” … certo?
Para a maioria das mulheres, a palavra hormona acaba por estar associada a estados mais negativos, a mudanças de humor bruscas, sintomas complicados de tensão pré-menstrual, menopausa, entre outros, certo?
Mas, a verdade é que as hormonas são-nos essenciais!
Desde o nascimento que as nossas hormonas são responsáveis por uma infinidade de funções no nosso corpo tais como o nosso apetite, os nossos padrões de sono, a maneira como respondemos e lidamos com o stress, a nossa digestão, o nosso humor, o nosso ciclo menstrual e praticamente tudo o que acontece na nossa vida.
É por isso que acredito que é tão importante que as mulheres de todas as idades tenham uma compreensão básica do que são as hormonas e como estas funcionam. Caso contrário, estamos simplesmente no escuro durante anos, durante décadas, a tentar perceber o que é que está a acontecer com o nosso corpo, o que se torna muito frustrante.
Os desequilíbrios hormonais são responsáveis por uma vasta gama de sinais e de sintomas, como cansaço constante, dores de cabeça intensas, alterações de humor, quedas de energia, ganho de peso inexplicável, problemas de sono, baixa libido, irregularidade do ciclo menstrual, dificuldade em engravidar, entre outros.
Mas afinal o que são hormonas?
As hormonas são como mensageiros químicos que circulam por todo o nosso corpo e que são maioritariamente produzidas e libertadas por glândulas endócrinas. As glândulas endócrinas principais são a hipófise, a glândula pineal, a tiróide, a paratiróide e o timo, as supra-renais, o pâncreas e os ovários, entre outras.
E como é que funcionam as nossas hormonas?
Cada uma destas glândulas produz hormonas que possuem funções específicas no corpo. Toda a coordenação das hormonas, do sistema endócrino, é feita por um centro de controlo chamado hipotálamo, localizado no cérebro. Isto é, o hipotálamo funciona como uma sede, que envia instruções na forma de hormonas (mensageiros) para cada uma das glândulas do corpo. Essas hormonas prendem-se a recetores específicos nessas glândulas e transmitem as instruções ou informações.
O sistema endócrino e as hormonas podem ser comparados a um sistema de comunicação dentro do nosso corpo, semelhante a uma rede de correio interno. As hormonas são como cartas ou mensagens que são enviadas para diferentes partes do corpo para transmitir informações importantes e instruções. Cada hormona tem uma função específica, assim como diferentes tipos de funcionários numa empresa têm diferentes responsabilidades. Ou seja, é um sistema muito complexo!
Como é que acontecem os desequilíbrios hormonais?
Sendo o sistema endócrino um sistema tão complexo, existe o potencial de falha de comunicação em algum lugar ao longo do caminho, o que leva à interrupção da forma como as hormonas são distribuídas por todo o corpo. Se algumas hormonas não estiverem em equilíbrio, e voltando à comparação anterior, é como se a comunicação “na empresa” estivesse desorganizada, o que pode levar a problemas de saúde.
E é assim que acontecem os desequilíbrios hormonais, um termo muito utilizado atualmente! De certeza que já o ouviste imensas vezes, certo? Mas o que isso realmente significa?
É de extrema importância referir que no geral, o nosso sistema endócrino é absolutamente fantástico em se auto-regular, ou seja, quando algum desequilíbrio está para acontecer, as glândulas comunicam entre si e entre outros sistemas do nosso corpo e conseguem aumentar ou diminuir a produção e distribuição de hormonas facilmente.
Contudo, ainda assim, existem alguma falhas, muitas vezes devido a situações crónicas, em que o nosso organismo perde a capacidade de se auto-regular.
Por vezes, e sendo o sistema endócrino um sistema tão complexo, o desequilíbrio de uma hormona tem um “efeito dominó” em todas as outras, ou seja, basta que uma hormona fique desestabilizada para que muitas outras se desequilibrem também, o que te faz sentir uma grande variedade de sinais e sintomas, muitas vezes vagos. Isto faz com que os desequilíbrios hormonais pareçam tão complicados – porque nos fazem ter e sentir muitos sinais e sintomas que são vagos e que aparentemente não estão relacionados.
Quais são as causas dos desequilíbrios hormonais?
As causas mais comuns para os desequilíbrios hormonais são:
- Alimentação inadequada – pouco nutritiva, pouco variada, rica ultra-processados, em gorduras saturadas, açúcares refinados, entre outros.
- Fazer dietas extremas ou não consumir calorias e nutrientes suficientes para sustentar a produção hormonal.
- Sensibilidades alimentares que podem causar o que chamamos de “stress interno” e estados crónicos de inflamação.
- Desequilíbrios de glicose (açúcar no sangue) devido à ingestão de muito açúcar ou muitos hidratos de carbono e pouca proteína e gorduras saudáveis suficientes nas refeições.
- Falta de exercício ou exercício em excesso.
- Stress externo excessivo ou contínuo.
- Não dormir e descansar o suficiente ou ter hábitos de sono irregulares.
E é claro que há algumas situações mais especificas que perturbam diretamente as tuas hormonas como por exemplo:
- Medicamentos como antibióticos, pílula anticoncepcional e certos antidepressivos;
- Exposição a toxinas ambientais e disruptores endócrinos (por exemplo: alimentos, água, roupas, produtos de cuidado pessoal, produtos de limpeza e muitos outros);
- Gravidez, lactação, menopausa.
Contudo, refiro mais uma vez que não são, normalmente, situações pontuais que vão causar um desequilíbrio hormonal. São normalmente atos, ações continuadas ao longo de semanas, meses ou mesmo anos que levam muitas vezes a um funcionamento alterado das glândulas endócrinas.
Quais são os sinais e sintomas dos desequilíbrios hormonais?
Os sinais e sintomas mais comuns de desequilíbrios hormonais são:
- Ter dificuldade em adormecer ou em manter-se a dormir durante a noite.
- Ter dificuldade para sair da cama, mesmo depois de sete a nove horas de sono.
- Precisar de cafeína para “acordar” de manhã.
- Precisar de mais cafeína ou açúcar a meio da manhã e novamente a meio da tarde para continuar ativa (ter aquela vontade de comer um chocolatinho ou uma coisinha doce a meio da tarde, por exemplo).
- Ter sintomas exacerbados de Tensão Pré Menstrual (TPM) nos dias ou semanas anteriores à menstruação, como alterações bruscas de humor, explosões de raiva e quedas de energia.
- Ter um ciclo menstrual irregular ou inexistente (amenorreia).
- Ter um ciclo menstrual mais frequente que o normal (ciclo curtos, com menos de 23 dias)
- A menstruação é dolorosa, com sangramento muito abundante.
Quando se trata de desequilíbrio hormonal, esses geralmente estão entre os primeiros sinais e sintomas a serem observados. Por outras palavras, se apresentamos alguns destes sinais ou sintomas poderemos estar perante um desequilíbrio hormonal.
Como prevenimos ou tratamos desequilíbrios hormonais?
Antes de mais, é importante referir que não tratamos desequilíbrios hormonais. Nós tratamos as causas primárias que levaram aos desequilíbrios hormonais.
A boa notícia é que, com mudanças específicas na forma como vivemos, no nosso estilo de vida, nos pilares da Saúde da Mulher, podemos apoiar as nossas hormonas, o sistema endócrino e retomar o controlo da nossa vida.
Fica atenta aqui ao blog para saberes mais acerca das estratégias que podemos utilizar para “reequilibrarmos” as nossas hormonas e controlarmos sinais e sintomas e sermos verdadeiramente saudáveis e felizes!
E lembra-te: Uma Mulher Informada é uma Mulher Empoderada!
Raquel Oliveira,
A tua Coach de nutrição, saúde e bem-estar
Nota: as informações fornecidas neste artigo são gerais e apenas para fins educativos e não devem ser usadas para diagnosticar ou tratar qualquer condição médica. Recomendo sempre que contates um profissional de saúde qualificado para obteres orientação específica e informações personalizadas sobre a tua saúde!
